Exemplos de Família - 29/10/2009


Poderia ser pior...

O dia apenas amanhecera e Jorge já se achava a meio caminho da empresa em que trabalhava. Os passos lentos e o olhar voltado para o chão, demonstravam a tristeza e o desalento de que estava possuído. Adentrou o local de trabalho alguns minutos antes do horário, e cumprimentou o colega, um tanto desanimado. Ao perceber a tristeza de Jorge o companheiro lhe perguntou interessado: - O que aconteceu com você? Seu olhar denuncia sentimentos amargos... - É verdade. Trago nos ombros o peso da desesperança... - À minha volta só acontecem desgraças e mais desgraças... Sinto-me impotente, e penso que sou o homem mais infeliz da face da terra. - Mas, afinal de contas, o que aconteceu? - Indagou o colega. - Ora, meu irmão mais novo contraiu grande dívida e fugiu sem deixar o endereço. Meu cunhado envolveu-se com assaltantes e está atrás das grades. O companheiro que ouvia atento, observou: mas podia ser pior... Jorge continuou: - Minha esposa, levianamente envolveu-se com um rapaz bem mais novo que ela, e abandonou o lar... - Mas podia ser pior... - Retrucou o colega. - Meu melhor amigo me traiu, espalhando calúnias a meu respeito... - No entanto, podia ser pior... - Falou novamente o companheiro. Jorge não suportou mais ouvir aquela afirmativa e perguntou um tanto irritado: - Ora, eu já lhe contei tantas desgraças e você só sabe dizer que podia ser pior? O que poderia acontecer que fosse pior? O amigo respondeu serenamente: - você falou que o seu irmão tomou um empréstimo e não honrou o compromisso... Que seu cunhado envolveu-se em assaltos... Que sua esposa o traiu... Que seu melhor amigo o caluniou... E eu posso afirmar com segurança que podia ser pior, se fosse você o autor de tantos desatinos... Jorge um tanto chocado, olhou longamente para o colega e respondeu meio reticente: - É... Podia mesmo ser pior... Às vezes nos deparamos com situações que nos deixam tristes, porque sentimos o coração dilacerado pela traição, pela calúnia, ou pelos equívocos dos entes queridos. Todavia, se já conseguimos permanecer fiéis à nossa própria consciência, poderemos oferecer apoio aos que ainda se debatem nas águas turbulentas dos vícios morais. Pense nisso! Ainda que a navalha da ingratidão nos dilacere o coração... Ainda que a desgraça dos seres amados comprima nosso coração afetuoso... Ainda que tenhamos que sorver a taça da calúnia, lembremos o exemplo maior de Jesus, diante da traição do amigo que com ele convivera por longos anos... Lembremos as lágrimas do Sublime Galileu diante do sofrimento alheio... E, por fim, lembremos a derradeira frase que proferiu do alto da cruz infamante: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 lembranças da minha época de escola